É o rock que casa com a casa!

No dia 22 do mês em que comemoramos o Dia Mundial do Rock – 13 de julho –, quem saiu de casa para curtir um belo rock gaúcho não se decepcionou. A festa “Mês do Rock”, promovida pelo Macondo Coletivo no Boteco do Rosário, fez jus ao nome!

A noite começou com o show da santa-mariense Piscadela. A banda é recente, mas impressiona pela postura e vontade que apresenta no palco. A Piscadela abriu o show com “Maior Abandonado”, um clássico do rock nacional, e seguiu seu repertório correndo por bandas como TNT, Cascavelletes, Cachorro Grande e Faichecleres, arrancando aplausos do público ao final de cada música.

Piscadela na festa "Mês do Rock".

VJ Francine Nunes.

O Macondo Coletivo foi presenteado com “Minha Vida é o Rock’n’roll” e a platéia com “Helter Skelter”, última música do setlist. Enquanto aguardava o segundo show da noite, com a Sandálias de Porto Alegre, o público curtiu a discotecagem com o “rock novo” das bandas Jet, Arctic Monkeys e Beck, das gaúchas Cartolas, Apanhador Só e Superguidis além do bom e velho Creedence, Rolling Stones e Velvet Underground. A VJ Francine Nunes também mostrou o seu trabalho e coloriu ainda mais as paredes do Boteco do Rosário no intervalo e durante os shows!

A Sandálias chegou em Santa Maria por volta das 23h e correu direto para o palco. Os que ficaram para assistir ao segundo show da noite tiveram, com certeza, uma agradável surpresa! O trio porto-alegrense esbanjou simpatia desde a primeira música – “Para Adoçar” – e adoçaram aqueles que ainda suspeitavam da banda.

Músicas como “Monalisa” chamaram muito a atenção do público que ouviu e admirou atento ao show da Sandálias! Do trio, apenas Taba, voz e guitarra, conhecia a cidade. Pareciam realmente felizes por estarem em Santa Maria. A alegria era tanta que, mesmo receosos, puxaram os primeiros acordes de “All My Life”, do Foo Fighters. O bar correspondeu em peso à provocação e a banda partiu, então, para os vocais e deu sequência à música, fazendo a alegria dos freqüentadores do Boteco do Rosário. Outra música que esteve no repertório foi “Chelsea Dagger”, da banda escocesa The Fratellis.

Sandálias no Boteco do Rosário!

 

O primeiro disco da banda – “A diversão hoje é você” – chegou nos aposentos da Sandálias há três semanas. Durante alguns dias, todo o material esteve disponível na página do Toque no Brasil  para divulgação do show em Santa Maria. O CD pode ser adquirido na lojinha do Macondo Coletivo, que, por sinal, também esteve presente na festa, por R$7,00!

 

O Macondo Coletivo agradece ao Boteco do Rosário, às bandas Piscadela e Sandálias e a todos que prestigiaram essa bonita festa! O dinheiro arrecadado será revertido para o Festival de Teatro Independente de Santa Maria – FETISM –, promovido pelo coletivo e pelo Palco Fora do Eixo, que terá início no próximo mês, dos dias 4 a 11 de agosto.

Texto: Gabriela Belnhak

Fotos: Gabriela Belnhak e Marcelo Cabala

A Orquestra de Karl Valentin na terceira edição do (pausa dramática)

Uma orquestra clown completamente atrapalhada – composta por um maestro nervosinho e um músico que tudo questiona –  foi apresentada ao público que esteve na segunda-feira à noite, no Boteco do Rosário, na terceira edição do (pausa dramática), iniciativa do Teatro Por que não? em parceria com o Boteco, Macondo Coletivo e Palco Fora do Eixo. A leitura livre do texto do dramaturgo alemão Karl Valentin (1882-1948) foi feita pelo grupo TUI – Teatro Universitário Independente.

A apresentação caótica de uma orquestra que mais fala do que toca seus instrumentos e que pede aplausos – levantando um cartaz-  divertiu o público. O texto de Concerto de Orquestra mostra impasses, problemas de comunicação, jogos de palavras e alguns diálogos que parecem não ter sentido algum. O cômico aparece na ação do músicos da orquestra com os instrumentos, no ciclista andando de bicicleta com venda nos olhos e na discussão confusa entre o palhaço Valentim e o maestro.

 

O acesso ao teatro

Karl Valentin defendia a ideia do Teatro Obrigatório Universal, em que todos fossem obrigados pelo Estado a ir ao teatro, bem como é feito com a escola. Cristiano dos Santos, integrante do TUI, explica que alguns anarquistas do pós-guerra, principalmente da Alemanha, acreditavam que se  alemães tivessem levado seus filhos ao teatro, poderiam ter encontrado o sensível do humano, perdido no contexto de guerra. “O texto apresentado mostra que as pessoas não se relacionam, há uma confusão, cada uma fala uma coisa, não há um entendimento e as pessoas não entram em harmonia, por isso, vem a guerra”, destaca a atriz Inês Rorato, do TUI.

Marcele Nascimento, também integrante do grupo TUI, lembra que o dramaturgo, no texto Por que os teatros estão vazios, critica os teatros vazios e expõem seus argumentos a favor do Estado obrigar a população a frequentar os teatros.

Conforme Cristiano, além desses questionamentos, o texto de Valentin também foi escolhido porque ele defendia que “se você não vai ao teatro, o teatro vai até você”, ideia que se encaixa na proposta do (pausa dramática).

A próxima edição do (pausa dramática) ocorre no dia 01 de agosto, às 20h, no Boteco do Rosário.

Texto e fotos: Silvana Dalmaso

Entrevista e vídeo: Kareka Ricordi


#ArtistadaSemana: Jazz, a música

Um artista santa-mariense retornou à cidade para uma apresentação. Gustavo Assis-Brasil é formado em violão clássico pela UFSM e vive nos Estados Unidos desde 1999, ano em que foi cursar mestrado em Jazz no país. Residente em Boston, Gustavo atua como músico e professor, fato apontado por ele como uma das diferenças entre docentes no Brasil e nos EUA – enquanto aqui há professores dedicados somente à academia, nos EUA a maioria dos professores de música também produzem no mercado musical. Ele dirige o departamento de Jazz e Música Contemporânea da Cambridge School of Weston, dá aulas no Guitar Session, na Berklee College of Music, tem projetos musicais solo e também com outros artistas.

Gustavo veio ao Brasil para o projeto “Músicos do RS no mundo”, promovido pelo SESC-RS e pela Discoteca Pública Natho Henn da Secretaria de Cultura do Estado. No projeto, ele faz uma turnê em quatro cidades gaúchas: Santa Maria, Porto Alegre, Pelotas e Bento Gonçalves. Para os shows, convidou músicos amigos: Julio “Chumbinho” Herrlein (guitarra), Matheus Nicolaiewsky (baixo) e Bruno Tessele (bateria). No dia 13 de julho, apresentou-se no Theatro Treze de Maio com os outros artistas que compõem a turnê, após uma palestra sobre sua trajetória profissional. No dia seguinte, os músicos ministraram uma oficina sobre improvisação no Jazz.

Guilherme Barros (convidado especial), Bruno (bateria), Matheus (baixo), Gustavo e “Chumbinho” (guitarra) no Treze de Maio.

Macondo Coletivo: Como é a cena do jazz hoje nos Estados Unidos?
Gustavo Assis-Brasil: É bastante dinâmica, principlamente se comparada à cena no Brasil. No eixo New York-Boston, por exemplo, existem inúmeros bares e clubes que se dedicam a receber artistas e divulgar esse estilo de música em particular, além da música instrumental em geral. É sempre bom lembrar que o Jazz tradicional ou puro, como alguns preferem chamar, está cada vez mais cedendo lugar ao fusion, que seria uma mistura do Jazz com outros estilos.

O jazz surgiu atribuído a manifestações populares. No Brasil, o gênero não é, entretanto, popularizado e encontra certa identificação com gêneros eruditos. O jazz é um gênero musical que foi elitizado?

Sim, acredito que no Brasil essa seja uma visão recorrente, mas não acredito que ela condiza com a realidade necessariamente. Se você for a New Orleans, por exemplo, vai ouvir Jazz a cada esquina, sempre executado por músicos que muitas vezes nunca tiveram uma educação ou treinamento musical acadêmico. Aqui no Brasil, muitas vezes temos essa ideia de que o jazz é um estilo mais requintado, mas na verdade essa impressão nos é causada por esse ser um estilo bastante desconhecido por nós brasileiros. Não digo que não exista complexidade no jazz, mas de uma certa forma, os americanos crescem ouvindo jazz, o que torna o estilo mais natural para eles. Nós, brasileiros, temos uma variedade de ritmos que tornam nossa música bastante complexa para qualquer americano. “Às vezes eles passam anos estudando os ritmos brasileiros, e nem por isso o samba deles deixa de ser meio quadrado“. Para nós, o samba está no sangue, enquanto que para os americanos ele até pode ser visto como um ritmo difícil e requintado, por não ser “natural” para eles; por não fazer parte do repertório deles. O jazz para os americanos, é o nosso samba às avessas.

Muitos músicos não tem formação acadêmica ou estudaram em institutos voltados à prática musical. Qual a importância, hoje, do estudo formal na música?

Eu acho que muitas vezes, a música não é reconhecida como profissão. Qualquer pessoa que saiba tocar um instrumento se diz músico. Isso acontece com muita frequência no Brasil, onde a profissão – de acordo com minha experiência – ainda sofre certo preconceito. Um músico completo, um profissional da música, tem que ter formação, tem que saber ler, compor e saber transitar entre diferentes estilos musicais. Ninguém se diz médico se não tiver um título. Para mim, a música deve ser vista da mesma forma.

Muitos críticos dizem que não há mais bons músicos atualmente e que a criação musical está estagnada. Como você vê a produção musical atual? Há somente repetição de fórmulas prontas?

Volto ao ponto anterior: o problema é que muita gente que gosta de brincar de fazer música se auto-intitula músico. Existem movimentos sociais que usam a música como seu instrumento de divulgação, mas isso não basta para fazer música de verdade. A chamada indústria “musical” se aproveita muito também da falta de cultura musical do povo, em qualquer parte do mundo. Produtores elegem pessoas – e essa seleção, na maioria das vezes, não tem nada a ver com o talento musical dos mesmos – e investem fortunas na promoção de um álbum. As composições são encomendadas e os computadores fazem a execução quase que completa das músicas. O “artista” muitas vezes só empresta sua imagem. Isso, para mim, não é música, mas sim um simple produto comercial. Se alguém quiser chamar isso de música, dai sim vamos ter que concordar que a criação e o talento musical estão em crise. Agora, se formos analisar o trabalho de músicos verdadeiros, vamos ver que a realidade é bem outra. Existem artista maravilhosos surgindo todos os dias, mas que não ficam famosos porque sua música não segue o modelo “dois acordes”.

Gustavo Assis-Brasil: "Um músico completo, um profissional da música, tem que ter formação, tem que saber ler, compor e saber transitar entre diferentes estilos musicais. Ninguém se diz médico se não tiver um título. Para mim, a música deve ser vista da mesma forma."

Você encontra, na página do Facebook do Macondo Coletivo, mais fotos da apresentação de Gustavo Assis-Brasil no Theatro Treze de Maio.

Texto: Bianca Riet Villanova

Fotos: Gabriela Belnhak

Sandálias e Piscadela na festa Mês do Rock

Desde o dia 5 de julho, o Macondo Cineclube, frente cineclubista do Macondo Coletivo, está exibindo curtas e videoclipes relacionados ao Dia Mundial do Rock. Somando-se às comemorações, iniciadas pelo ciclo “Cinema, Boteco e Rock’n’roll”, o Macondo Coletivo apresenta a festa Mês do Rock, no dia 22 de julho, próxima sexta-feira, no Boteco do Rosário, com as bandas Sandálias, de Porto Alegre, e Piscadela, de Santa Maria.

No show, a Sandálias (foto acima), que já possui quase quatro anos de estrada, deverá apresentar ao público as músicas do álbum “A diversão hoje é você”, gravado ao longo de 2010. Quase todo o disco está disponível para ouvir no site Toque no Brasil (TNB), uma rede voltada a artistas e, especialmente, bandas independentes. Duas músicas podem ser baixadas – “Monalisa” e “Duas Vidas”. A músicas foram liberadas exclusivamente para o show da Sandálias em Santa Maria e a intenção da banda é disponibilizar, em breve, todo o CD para download.

Já a santa-mariense, Piscadela, formada em 2008, também vem desenvolvendo um trabalho autoral. No TNB, podem ser baixadas as músicas “Todos os dias eu vou mudar” e “Não escondo minha verdade”. No seu perfil, o quarteto declara ser influenciado principalmente pelo rock internacional dos anos 60 e 70 e nacional dos anos 80 e 90.

A festa Mês do Rock também vai contar com projeções nas paredes do Boteco e lojinha do Macondo Coletivo.

  • Macondo Coletivo apresenta a festa do Mês do Rock

Com as bandas: Sandálias (POA) e Piscadela (SM)

Dia 22 de julho, sexta-feira, 21h

No Boteco do Rosário (Rua do Rosário, 400)

Ingresso: R$ 8,00

Texto: Silvana Dalmaso
Cartaz: Rodrigo Ricordi
Fotos: Divulgação

FdE na Feira de Economia Solidária

O Macondo Coletivo e o Circuito Fora do Eixo estiveram presentes na 18ª edição da Feira do Cooperativismo e 8ª Edição do EcoSOL, Feira de Economia Solidária do Mercosul, que ocorreu nos dias 08, 09 e 10 de julho, em Santa Maria.

Durante os três dias de evento, circularam 151 mil pessoas pelo Centro de Referência em Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, nos fundos do Santuário Basílica de Nossa Senhora Medianeira. Além do interesse em produtos naturais e artesanais que são comercializados nas dezenas de estandes, o público teve a oportunidade de participar das oficinas, seminários, palestras e outras projetos culturais oferecidas pelo evento. Através da diversidade da programação, experiências foram trocadas entre redes e movimentos sociais pensando em um outro modelo de economia e sociedade.

Representando o Circuito Fora do Eixo e também o Macondo Coletivo, Atílio Alencar participou, no dia 09, da programação da  7ª Feira de Economia Solidária do Mercosul, o maior evento de EcoSol do país, no qual se reúnem agentes de todo o Brasil e América Latina. A convite do Coordenador Regional de Educação, Rogier Menezes, ele integrou a mesa denominada “Trilhas da Educação”, um painel plural composto por diversos ativistas sociais – entre eles, o MST, o coletivo de educação popular Práxis, economia solidária do Uruguai e o fórum gaúcho de ECOPOPSOL.

De acordo com Alencar, com a proposta de apresentar à rede estadual de ensino as experiências no campo da educação popular destes movimentos, foram realizados relatos que apontavam alternativas para o engessamento do sistema educacional, abrindo a seguir o debate para os participantes. Cultura independente, software livre e comunicação não-corporativista foram os temas mais recorrentes nas falas dos convidados. Em sua maioria, o quórum era composto por docentes do ensino médio local, que demonstraram interesse na transversalidade dos experimentos, bem como no potencial pedagógico de atividades comumente dissociadas da área da educação.

“Nossos relatos que remeteram à gestão da UniFdE dentro da esfera de atuação do Circuito Fora do Eixo chamaram atenção dos educadores, principalmente pela inciativa de sistematizar a troca de experiências e saberes entre os coletivos. A prática de estimular a imersão como um momento vital de formação dos agentes da rede causou as impressões mais positivas, assim como a forma aberta de fazer circular as tecnologias sociais desenvolvidas pelo FdE.  O modo de diálogo transversal entre arte, economia e educação – promovido pelas iniciativas do Banco FdE, da UniFdE e pelas tantas frentes de linguagem que compõem a rede – acenou para um conjunto de referenciais nem sempre difundido entre os muros da escola, mas encontrou uma acolhida bastante interessada por parte dos profissionais da rede pública de ensino”, relatou Alencar.

Relato: Atílio Alencar

Texto e fotos: Nathália Schneider

Terceira edição (pausa dramática)

A (pausa dramática) é uma leitura livre de obras teatrais que acontece quinzenalmente, sempre as segunda-feiras, com diversos grupos cênicos. E nesta segunda, dia 14, acontecerá sua terceira edição com a leitura do texto Concerto da Orquestra de Karl Valentin pelo grupo TUI – Teatro Universitário Independente, às 20h no Boteco do Rosário (Rua do Rosário, 400) com entrada franca. A iniciativa é do Teatro Por Que Não? em parceria com o Macondo Coletivo, Palco Fora do Eixo e Boteco do Rosário.

Para ler mais, acesse o site do Teatro Por Que Não?, ou veja a cobertura das edições passadas, aqui e aqui.

Texto: Nathália Schneider

Cartaz: Teatro Por Que Não?/Divulgação

Brazilian Cajuns lança videoclipe

A Brazilian Cajuns, banda de Londrina que tocou no Grito Rock Santa Maria 2011, lançou o vídeo da música “Depois daquele tiro”, com autoria de  Billy Boy (Aden), na última sexta-feira, 8 de julho.

O vídeo foi produzido num bar chamado Garagem Hermética, em Londrina, e numa estrada de terra atrás da UEL, Universidade Estadual de Londrina. “Gastamos uma parte da noite e um final de tarde nisso. Foi produzido como trabalho de faculdade de Artes Visuais pelo Kid Step Bill (Diego), baixista da banda, e seus colegas de classe”, comenta Alex Lamounier, vocalista, que complementa: “pedi para o pessoal adicionar a imagem inicial  de uma revista de quadrinhos que tenho (Loveless: Terra sem lei), o Mateus (Kinky Lawless, violão) deu a dica do filme do Django e o Aden pesquisou o filminho antigo de Cancan que aparece”.

Santa Maria recebeu o primeiro show da Brazilian Cajuns no Rio Grande do Sul e este é o primeiro videoclipe lançado pela banda! “É o primeiro clipe e fiquei orgulhoso, pois acredito nessa coisa de levar as idéias adiante com recursos próprios. Sou fã de cinema novo e não gosto de super produções. Acho que a verdade está nessas coisas simples, que não precisam ser simplórias”, conta Alex, com toda a graça.

Confira, agora, o divertido vídeo de “Depois daquele tiro”, Brazilian Cajuns!

Texto: Gabriela Belnhak

2º Congresso da Regional Sul: planejamento, estímulo e integração

Uma Casa Fora do Eixo em Porto Alegre e a formação de um Colegiado Setorial da Região Sul para coordenar as ações do Circuito nos três estados. Em termos de encaminhamentos concretos relacionados ao futuro da Regional Sul, Cafe Poa e Colegiado foram as duas principais deliberações do 2º Congresso Regional Sul Fora do Eixo ocorrido de 1º a 03 de julho, na Casa de Cultura Mário Quintana, na capital gaúcha. Ainda bem que um congresso como esse, que reuniu integrantes de 11 coletivos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, não se resume a estas duas resoluções. A pauta do Encontro contou com discussões importantes sobre o funcionamento do Circuito Fora do Eixo, a circulação de bandas, a distribuição, o Pcult, a comunicação, mapeamento de festivais e a tão difícil sustentabilidade dos coletivos. Questões que foram abordadas por Pablo Capilé e Felipe Altenfelder, da Casa Fora do Eixo. Os dois explicaram o funcionamento do Circuito, as dinâmicas de trabalho da CAFE e, claro, foram agentes de estímulo aos participantes.

Circulação- Sobre a dinâmica de circulação de artistas dentro do Circuito, Capilé explicou o funcionamento da Agência Fora do Eixo que negocia as apresentações das bandas, potencializando a venda de shows. Conforme Capilé, a agência não cobra porcentagem na hora de viabilizar os shows para os Coletivos do FDE. “O objetivo é fazer com que os coletivos tenham condições de ter um bando de artistas para vender localmente”. Para os artistas, a contrapartida é a possibilidade de circular em um circuito diferente com contratantes do Brasil inteiro. Além disso, também foi destacada a qualificação das pautas na circulação dos artistas. Na opinião de Capilé, os artistas hoje estão preocupados em formar público, não só em tocar e ir embora. Enfatizou também a importância de levar jornalistas da mídia nacional aos eventos ou outros debatedores que possam agregar valor aos Festivais realizados pelo Cicuito.

 Turnê integrada – No sábado, dia 02, começou a ser organizada a primeira turnê integrada da Regional Sul. Os representantes de Coletivos e Pontos Fora do Eixo da Regional relataram as condições de circulação das cidades onde atuam. Foi feito um mapeamento dos locais disponíveis para shows, dias da semana e nome do responsável de cada Coletivo ou Ponto das cidades da Regional. A turnê vai ter início no dia 11 de agosto em Curitiba, seguindo para Joinvile, Rio do Sul, Florianópolis, Caxias do Sul, Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas e Esteio. A apresentação de Santa Maria ficou marcada para o dia 19 de agosto. A banda ainda não foi definida.

Sustentabilidade – Moyses Lopes, do Movimento Soma, deu início à pauta da sustentabilidade, destacando a importância da aproximação com o Estado e de se criar condições para canalizar os recursos da cultura. Felipe Altenfender confirmou que a dedicação exclusiva das pessoas está diretamente ligada à sustentabilidade. “A dedicação exclusiva traz a sustentabilidade. Se está se investindo força de trabalho nisso, os recursos chegam”. Também destacou a importância das sedes-moradias, como a Casa Fora do Eixo, que aceleram o processo de captação de recursos e a elaboração de planilhas de serviços pelos coletivos.  Parcerias com iniciativa privada, existência de um núcleo durável, transformação de capital simbólico em produto de negociação e um fundo Fora do Eixo também foram citados. Cláudia Schulz, representante do Palco Fora do Eixo, também lembrou da importância de priorizar ações e de se valorizar os cards.

 Casa Fora do Eixo Poa – Durante o Congresso, foi comunicado aos participantes a criação de uma Casa Fora do Eixo em Porto Alegre. Atílio Alencar, agente fora do eixo sul, que deverá ser um dos moradores da Casa, explicou que a implantação da CAFE POA segue uma política do Fora do Eixo, de replicação de centros como estes. Perto de Buenos Aires e de outros países do Mercosul, Porto Alegre se torna ponta estratégico para o trabalho da rede. A CAFÉ SP vai ajudar a subsidiar parte dos recursos. A ideia é que a CAFÉ POA seja sustentável para o grupo que nela estiver trabalhando, para as ações em Porto Alegre e para toda a regional sul. É uma replicação do modelo paulista, mas que guarda as peculiaridades da região sul. Felipe Altenfender ainda acrescentou que as Casas Fora do Eixo fazem parte do programa de expansão do Fora do Eixo que “está em um momento mais conceitual do que geográfico”. Já estão sendo pensadas implantações de Casas Fora do Eixo em outras capitais do País e Porto Alegre está se antecipando nesta discussão. “É necessária a migração das pessoas, a Regional ganha velocidade com esta Casa que vai funcionar como um radar que diagnostica necessidades dos coletivos e busca formas de fazer investimentos. Os coletivos também poderão demandar da Casa”. A Casa Fora do Eixo Porto Alegre deverá ainda ser sede de imersões, espaços de formação, de reuniões com parceiros etc.

 Pcult- Discussões sobre o Pcult também ocuparam um tempo significativo do Congresso da Regional Sul. Pablo Capilé destacou que o Pcult é uma das frentes de trabalho do FDE e acrescentou que todos os coletivos deveriam ter um núcleo dedicado ao tema. O Pcult começou a ser estruturado há cerca de dois anos, pelo FDE, e se apresenta como uma instância sensibilizadora da importância de construir, sistematizar e planejar políticas públicas para a área da cultura. A aproximação com o poder público, o mapeamento de outras forças da cidade que estão abertas ao diálogo, a criação de pontes com órgãos como as CUFAS e Pontos de Cultura, a mediação de conflitos de interesses etc foram citados como exemplos de ações políticas do Pcult que tem uma perspectiva abrangente de cultura. Como representante do Poder Público do Rio Grande do Sul, o presidente do Instituto Estadual da Música, Santiago Neto, participou das mesas sobre o Pcult, declarando intenção do governo do Estado de apoiar festivais do Fora do Eixo através da Lei de Incentivo à Cultura.

Contatos – Importante destacar a integração entre os participantes dos Coletivos e Pontos Fora do Eixo durante o Congresso. Além da programação do evento e das pautas, os intervalos, o compartilhamento do chimarrão, as conversas durante o almoço e os encontros também estimularam a todos e contribuíram para a troca de ideias, de informações, de conhecimento, o estreitamento dos laços e o consequente fortalecimento da rede. Além disso, novos coletivos estão se agregando à rede. É o caso do Ruído, de Erechim (RS), que conta apenas com três pessoas, mas que estão muito dispostas a trabalhar com a rede, do Coletivo Manifesta Sol, de Caxias do Sul, além de Joinvile (SC) que também está começando a se integrar. O grupo de produção audiovisual Inverso, de Porto Alegre, também acompanhou o Congresso, inclusive, gravando os principais debates. A presença de novos coletivos e de pessoas interessadas em integrar a rede contrapôs à desadesão do Extremo Rock Sul e Veneta, ambos de Porto Alegre.

Aliás, a pauta sobre comunicação da Regional Sul abordou a importância de todos os Coletivos, dos três estados do Sul, participarem da produção de pauta, da troca de informações e atualização da agenda do FDE Sul. Atualmente, a Regional Sul produz quinzenalmente uma Newsletter que reúne as principais notícias dos eventos e ações dos Coletivos da região sul. A Regional, agora, também terá uma conta no Twitter, por meio do endereço @foradoeixosul. Quem não esteve presencialmente em Porto Alegre, pôde assistir a boa parte das discussões pela twitcam, providenciada pelo Movimento Soma.

Macondo Coletivo – Em 2010, o Macondo Coletivo organizou o Congresso, que ocorreu de 20 a 22 de agosto, em Santa Maria. Neste ano, o Movimento Soma, de Porto Alegre, se responsabilizou pela organização da quarta edição. Do Macondo Coletivo participaram Alessandra Giovanella, que fez uma explanação sobre a frente de Poéticas Visuais do FDE, Marcelo Cabala, que falou sobre o Clube de Cinema, SEDAs e Cineclubes, Cláudia Schulz, que além de ajudar na organização, representou o Palco Fora do Eixo. O núcleo de comunicação também compareceu sendo representado por Andressa Quadros, Bianca Vilanova, Kareka Ricordi, Natália Schneider e Silvana Dalmaso.

Texto: Silvana Dalmaso

Fotos: Marcelo Cabala e Movimento Soma

Mais relatos sobre o Congresso no blog do Coletivo Barriga Verde, Movimento Soma, Coletivo Alona, Manifesta Sol, Linguarudos (Joinvile) e do Fora do Eixo Letras.

Fotos do Congresso, feitas por integrantes do Macondo Coletivo, aqui e no Picasa, e aqui, as fotos do Movimento Soma.

Uma pausa para Tchekhov

Nesta segunda-feira, 4, foi apresentado no Boteco do Rosário uma divertida adaptação da peça “O Urso” de Anton Tchekhov. A leitura foi realizada pelos artistas cênicos Daniel Plá, Daniela Varotto e Anderson Martins durante a (pausa dramática), uma parceria do Teatro Por Que Não? com  o Palco Fora do Eixo, o Boteco do Rosário e o Macondo Coletivo.

Confira o que os atores disseram sobre a leitura e sobre o projeto (pausa dramática)

Texto e fotos: Nathália Schneider

Vídeo: Rodrigo Ricordi

Porto Alegre sedia II Congresso Regional Sul do Circuito Fora do Eixo

O Movimento Movimento SOMA (Região metropolina de PoA) e o Macondo Coletivo (Ponto de Articulação regional do FdE) realizam de 01 a 03 de julho o II Congresso Regional Sul do Circuito Fora do Eixo na cidade de Porto Alegre. A primeira edição do Congresso ocorreu no ano passado, em Santa Maria, com a presença de Coletivos de toda a Região Sul. Esse ano o número de Coletivos aumentou e agentes dos três estados do Sul deverão participar das discussões que visam  fortalecer a cena independente na Região, tanto na Circulação de Bandas como no quesito artes Integradas, com O Palco Fora do Eixo, com o Poéticas Visuais Fora do Eixo, com o Clube de Cinema FdE e FEL – Fora do Eixo Letras (futura Editora Fora do Eixo) organizando uma mesa específica para Artes Integradas. Também haverá uma mesa PCult com presença de representantes da Secretaria de Cultura do Estado e as presenças de Pablo Capilé e Felipe Altenfelder, da Casa Fora do Eixo São Paulo. Confirmados ainda show de Wander Wildner, Noize Loops entre outras atrações artísticas. Do Macondo Coletivo, deverão participar cerca de oito integrantes.

O II Congresso Regional Sul Fora do Eixo será aberto no Mezanino da Casa de Cultura Mário Quintana, no dia 30 de junho. Durante a programação estão previstos painéis e grupos de discussão diários abordando temas como circulação e distribuição de produtos culturais, sustentabilidade do circuito e artes integradas, além de uma mesa específica sobre o PCult – Partido da Cultura. Também dentro da programação do Congresso acontecem as apresentações musicais de Wander Wildner, no Teatro de Arena, e Plá – lendário hippie do festival Psicodália, no evento de abertura. Já está confirmada a participação de coletivos e agentes culturais dos três estados da região sul, além de Pablo Capilé e Felipe Altenfelder, da gestão nacional do Circuito Fora do Eixo.
Por ser uma etapa preparatória do Congresso Nacional Fora do Eixo, as estratégias e ações discutidas no 2° Congresso Regional Sul serão integradas ao planejamento nacional do Circuito Fora do Eixo, que possui representatividade em todo o território nacional. Em razão disso, além de desenvolver a cadeia produtiva cultural da região sul do país, o congresso regional contribuirá para que a produção dessa cadeia torne-se acessível a todo o país, seja por meio da distribuição de DVDs, CDs, livros e outros produtos, ou por meio da circulação dos artistas em âmbito nacional. Em 2010 ocorreram os primeiros Congressos Regionais e este ano as cidades sede são Porto Alegre, Goiânia, Belém, Vitória, João Pessoa e Araraquara.

Os interessados e imprensa devem preencher o formulário de inscrições gratuitamente no link movimentosoma.blogspot.com.

Confira a programação completa:

30/06 – Quinta-feira

19h às 22h
Mezanino Casa de Cultura Mário Quintana
Credenciamento e abertura do Congresso Regional Sul FdE
Lounge Noisy Loops, Varal da Arte, Exposição de fotos e show com Plá (Curitiba/PR)
Entrada Gratuita

01/07 – Sexta-feira

09h às 11h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Credenciamento

11h às 13h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Painel: Apresentação dos Coletivos
Mediação: Pablo Capilé, Felipe Altenfelder, Cláudia Schulz, Atílio Alencar e Grazi Calazans
Pautas: Apresentação dos coletivos da Regional Sul

14h30 às 16h30
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Painel: Apresentação Circuito Fora do Eixo
Mediação: Pablo Capilé e Felipe Altenfelder
Pautas: Atualização do Circuito Nacional

17h às 19h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Painel: PCult – Partido da Cultura
Mediação: Atílio Alencar, Pablo Capilé e Valdir Hobe
Pautas: PCult na Regional Sul e políticas públicas

02/07 – Sábado

09h às 10h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Pauta Livre – Encontros dos grupos de trabalho

10h às 13h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Painel: Circulação na Regional Sul
Mediação: Atílio Alencar e Paulo Zé Barcellos
Pautas: Definição de rotas de circulação, configuração do circuito universitário, implantação do circuito de música e teatro, produção de shows-relâmpago.

14h30 às 16h30
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Painel: Distro – Distribuição de produtos culturais
Mediação: Grazi Calazans
Pautas: Banquinhas FDE, pontos parceiros para distribuição, novas mídias

17h às 19h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Painel: Sustentabilidade em trabalhos coletivos
Mediação: Moysés Lopes, Cláudia Schulz e Pablo Capilé
Pautas: Criação de opções de sustentabilidade, gestão de sustentabilidade, projetos e editais.

20h às 22h
Teatro de Arena
Show com Wander Wildner
Projeções de Moysés Lopes
Entrada: R$ 15,00
(com credencial do congresso ingressos a R$7,00)

03/07 – Domingo

09h às 10h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Pauta livre – Encontros dos grupos de trabalho

10h às 13h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Painel: Comunicação na Regional Sul
Mediação: Silvana Dalmaso e Pablo Capilé
Pautas: integração da comunicação, newsletters, cobertura colaborativa, webrádio, webtv

14h30 às 16h30
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Painel: Artes Integradas
Mediação: Alessandra Giovanella, Cláudia Schulz, Marcelo Cabala e Tatiana Oliveira
Pautas: Poéticas Visuais, Palco FDE, Clube de Cinema, FEL (Fora do Eixo Letras)

17h às 19h
Sala C2 Casa de Cultura Mário Quintana
Plenária
Mediação: Atílio Alencar, Claúdia Schulz, Pablo Capilé e Felipe Altenfelder
Pautas: adesões e desadesões ao circuito e encaminhamentos

20h às 22h
Mezanino Casa de Cultura Mário Quintana
Encerramento do Congresso Regional Sul FdE
Lounge Noisy Loops, Varal da Arte, Exposição de fotos e Show surpresa