O festival

Era em torno de 17h do dia 23 de outubro em Sapiranga, e o alto do morro estava encoberto por nuvens. Lá de cima, um paraglider cortava o céu nublado. Na terra, mais de 50 barracas se estendiam ao redor de um mesmo objetivo: curtir a natureza e ouvir um rock and roll.Desde o último fim de semana, o Morro Ferrabraz, na região metropolitana do estado do Rio Grande do Sul, permitiu uma fuga da civilização e um retorno à natureza selvagem, com uma trilha musical que trouxe as variadas vertentes do rock.Seleção fotos 1 – pessoas de diaO Morrostock reuniu motoqueiros, hippies, indies, punks e apreciadores de rock para além dos rótulos. Nas camisetas de quem circulou pelo espaço, Dead Kennedys, Rolling Stones, Jethro
Tull, Pink Floyd, Beatles e afins. Todos fazendo parte do segundo sábado do festival, numa maratona de mais de 13h de muita música.Por volta de 17h30min, uma figura peculiar inicia sua apresentação no palco. O artista circense Elias Figueiredo, acompanhado do cão mais simpático do acampamento, andou na corda bamba. E caiu.

Mas no circo sempre se tem 3 chances. – Disse Mauro-Lauro-Paulo, enquanto fazia a trilha do número com sua gaita.

Vocês querem mais difícil?

E assim foi, o respeitável público hipnotizado com a bola de vidro que deslizava entre os dedos de Elias, num movimento cadenciado que ia da cabeça aos braços, sem cair no chão. Ao término do aquecimento para a Convenção de Malabares e Circo, o palco seguiu aberto para quem quisesse mostrar alguma performance.

Vês!

Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável!

Os Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, foram recitados por um espectador. Outro recitou um poema de sua própria autoria sobre a insônia. Na sequência, um trio de dançarinas do ventre realizou seus movimentos libidinosos enquanto bebiam vinho.- Existe um mundo mágico onde o músico e o palhaço ousam se encontrar. E que encontro. O show da Bandinha Di Da Dó abriu a maratona de bandas ainda na tarde do dia 23 de outubro. O público animado dançou em trenzinho.  Na sequência, a banda de casa, Ecosofia, fez seu som para uma platéia que começava a chegar
e se juntar ao resto que já estava por ali. Diretamente do centro do estado, Vera Loca fez o público cantar “Maria Lúcia-aaaaaaaaa se amanhã chover, vem de biquíni que eu te empresto o guarda-chuva pra te proteger”.

Até que…

Foi-se a luz. Mas a Vera não parou. Se faltou energia no gerador, não faltou no publico que seguiu animado por Fabrício Beck, vocalista da banda, portando um megafone e com a bateria de Luigi Viera e solos de músicas dos Beatles, Queen, e o hino do Rio Grande do Sul. Nos bastidores, o staff correu atrás da luz, mas aparentemente o problema vinha da rua.

O público

Enquanto a música desplugada era tocada junto ao palco, sem amplificadores ou qualquer tipo de energia, parte do público preferiu outra opção. Uma fogueira e um violão e estava pronto: começou o luau no Morrostock. O grupo de pessoas ao redor da fogueira encobria as chamas.
Para chegar perto das labaredas, era necessário resvalar entre os grupinhos que buscavam luz, calor e alguns acordes de música. Entre Legião Urbana e Dazaranha, esperavam pelos shows. Grupos de pessoas que se aproximavam, se reuniam, olhavam, arriscavam uma ou duas
estrofes num grande momento de harmonia entre o público e o ambiente do festival.

Até que a energia voltou ao palco. Começaram os acordes de Borracho Y Loco, da banda Vera Loca. A plateia retornou para perto do palco, já entoando o clássico da banda argentina Los Enanitos Verdes, na versão em português, e foi só o vocalista da Vera Loca pedir “e agora só
os mais loucos!”, que todo o público gritou em unissínio: “E agora estou aqui, borracho y loco!”.

Assim seguiu a noite. Cada vez mais pessoas juntavam-se sob a lona que cobria a frente do palco. A cada banda, mais vozes que cantavam e mãos que se erguiam ao ar para bradar refrões. À procura de um melhor local para assistir aos shows, as pessoas soltavam pequenos gritos de surpresa: era um pé atolado na lama, um chinelo preso no barro, um escorregão na grama. Tudo isso do lado de cá.

Os bastidores

Do lado de lá, um sofá azul e alguns puffs brancos eram toda a mobília de um espaço ainda vazio no começo da noite. Imagine um lugar onde uma espécie de Mick Jagger – sem ironia – gaúcho, um baterista de uma banda muda que canta em uma banda de country e folk rock, um “macaco velho” do rock gaúcho e um trio de rapazes de terno e gravata iê-iê-iê se encontram.

Pelos bastidores do Morrostock, todos eles passaram. No meio da madrugada, enquanto lá fora cai uma garoa, no camarim, velhos amigos se reencontram em mais um dos festivais da vida.

Se no palco os artistas se escondem por trás de suas performances, é nos bastidores que o ser-comum aparece. Tomando uma cerveja, descansando no sofá ou contando velhas histórias para os amigos. Na medida em que o dia foi clareando, o espaço foi ficando vazio, as guitarras e baixos levados embora, a camisa pendurada no cabide também. Restou o vazio na cerveja. Sapiranga é conhecida por ser a capital das rosas. Poderia ser a capital do rock. Onde as guitarras e a natureza se encontram num dia que nasceu.

Texto: Bianca Villanova e Sarah Quines

Confere aí a galeria de imagens da noite toda!

Fotos: Nathália Schneider, Rogério Jacques e Gerson Silva

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Associação de Produtores Independentes Macondo Coletivo.

Uma resposta »

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Ricardo Rodrigues, macondo coletivo. macondo coletivo said: 13 Horas de Música no Morro do Rock: http://wp.me/pA4QJ-tL […]

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