O hall do Theatro Treze de Maio serviu de palco para uma atração diferente, mas atrelada ao show da noite de 21 de julho: um debate sobre novas maneiras de circulação de grupos musicais no Brasil. Durante a conversa de poucos presentes, só foi lamentada a chuva constante que certamente amedrontou um público potencial. Entretanto, dentro do teatro, choviam novas ideias na discussão.

O integrante do Macondo Coletivo, Atílio Alencar, começou a conversa explicando que o objetivo ao encaminhar o projeto Rastro Rinoceronte era tornar mais claro a atuação do coletivo, que é desenvolvido muito além do Macondo Lugar. “O bar é só mais um braço do Macondo Coletivo, cuja gestão é feita de forma independente” disse Atílio.

Em seguida, Paulo Noronha relatou a realização da turnê da banda Rinoceronte, organizada pela Agência Fora do Eixo. “O espetáculo de hoje tenta demonstrar o que a gente conseguiu de experiência na viagem. cof cof” tossiu Paulo, preocupado em como iria cantar mais tarde. A Agência agora trabalha com qualquer banda independente, as quais são articuladas com os coletivos e com as casas noturnas.

– E como que rola o primeiro contato? Acessa e passa pela avaliação da agência? – perguntou o jornalista Homero Pivotto Jr., acompanhado da enfermeira Graciela Vargas.
– Não é nem por uma avaliação, mas uma recomendação da Agência para a casa. Não há um “comitê nacional de avaliação” – explicou Atílio. Ele citou como exemplo a TSF, banda da qual Homero faz parte, com quem se poderia agilizar esse contato.
– A banda tem que ter vontade de investir na sua circulação. Não ser dependente de um produtor. Tem que ter disponibilidade, não pensando que vai ganhar tudo mas o necessário, o que vale muito – disse Paulo. A agência consegue alimentação, hospedagem solidária e transporte na cidade.
– Coisas que antes eram conseguidas na “brothagem”, agora possuem uma sistematização, como a hospedagem solidária – complementou Atílio, que prosseguiu falando que se engana quem pensa que o lucro da produção está em vendê-la. O ato de disponibilizar a música pode levar para caminhos muito melhores do que controlar o produto.

Foram citadas como exemplo de autogestão, o artista paranaense Nevilton e a banda gaúcha Pata de Elefante. Tais tipos de grupo perceberam a importância de tocar no interior, que vem sendo valorizado tanto quanto uma capital. “O endeusamento do artista tá caindo por terra. Ninguém faz nada sozinho, é um trabalho a ser feito conjuntamente” disse Paulo. Todos os atores sociais são indispensáveis para a cadeia produtiva. O artista produz o principal, mas não é algo que dependa só dele.

O repórter da Revista O Viés, Felipe Severo, perguntou como se dá a relação da Agência Fora do Eixo e do Macondo Coletivo com a mídia. Atílio fala que o Coletivo tem noção de que pode ser a própria mídia com as ferramentas disponíveis. “Temos o núcleo de comunicação, que tem um laboratório interessante da Cobertura Colaborativa, e dispomos de um blog que é alimentado com o que produzimos” “Muitas vezes esses veículos próprios acabam pautando a mídia tradicional. Vão se alimentando e se complementando” completou a recém chegada advogada e integrante do Macondo Coletivo, Lúcia Dalmaso.

O Circuito Fora do Eixo possui uma série de ações além da música. Tem o Palco Fora do Eixo, além de tentar criar uma frente de artes visuais e também de cineclubes. “O Palco Fora do Eixo está ampliando os acessos para se levar o teatro ao público, a gente sabe que mesmo com ingresso barato há pessoas que não possuem o costume de ir até o teatro” disse Atílio.

Lúcia citou que a abertura e a movimentação gerada pela Agência Fora do Eixo também muda o que é o conceito de música comercial. “É, não é só 12 bandas que existem no Brasil. Pouco a pouco as coisas vão sendo conquistadas cof cof” assentiu Paulo, ainda chateado com a chuva firme lá fora. Após um curto silêncio, o debate foi encerrado, restando apenas uma dúvida: se o lamento era maior por quem foi e enfrentou a chuva, ou por quem não foi e perdeu o grande show.

Texto: Marcelo De Franceschi

Foto: Lucas Figueiredo Baisch

Anúncios

Sobre Macondo Coletivo

Associação de Produtores Independentes Macondo Coletivo.

»

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Silvana Dalmaso, Sarah Quines and Atílio Alencar, macondo coletivo. macondo coletivo said: Macondo Coletivo e Rinoceronte debatem o papel das redes colaborativas: http://wp.me/pA4QJ-jz […]

  2. Silvana disse:

    Foto linda do Lucas. Bom texto, Marcelo. Só senti falta dos links, hehe. É que ando estudando muito isso e acho superimportante linkar tudo que der. Abraço

  3. Lucas disse:

    ae silvana!

    a lente tá rendendo hahahaha

    abraço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s