E a vida da arte.

Se a arte fosse um órgão, como seria?

Se um órgão fosse arte, como se pareceria?

Um órgão é vivo, como a arte. E dá vida, como na imaginação. E pode ser seu!

Como assim? Sim! Zenilda Cardozo doa seus órgãos. Não os físicos, mas sua arte.

Para quem já ouviu a máxima de que a arte é um pedaço do artista, a exposição Doações do Corpo pode ser encarada como tal. Estão expostos, e para doação, três órgãos na Sala Dobradiça: esôfago, cordas vocais e artéria.

Talvez seja este último o que melhor explica o real significado e intenção da artista. Por que a escolha do órgão? Por que não? Aparte do discurso já conhecido de campanhas da saúde sobre o assunto, o que pode significar doar (uma peça de arte).

Uma peça que não tem destinatário definido, mas que congrega em si tantos e diferentes significados para cada um.  Foi exatamente isso que a artista concluiu. Afinal, o trabalho que pode ser visto na Sala Dobradiça até o dia 9 de junho é continuação de sua tese de Mestrado. Os primeiros 16 órgãos foram produzidos e expostos em Porto Alegre e convidava o público interessado a inscrever-se em um edital, aos moldes dos editais de salões de artes, com as seguintes exigências: justificar o por quê de ser um merecedor do órgão pretendido e, caso selecionado, entregar em troca um foto 3×4.

A peça que exigiu reflexão e técnica da artista ganha, então, um rosto e um significado dado por outro. Nesta troca, um pouco da artista passa para o receptor, e o rosto e resposta deste se tornam real e interagem com a doadora. Há, enfim, uma troca, uma permuta. Esforço e criatividade ganham sentimentos de outro alguém.

Desta forma seu trabalho se espalha, como os vasos sanguíneos que se esparramam pela Sala Dobradiça. Assim a artista pretende dar visibilidade ao seu trabalho. Uma guerreira, como descreveu o professor Cazanova, coordenador do Centro de Artes e Letras da UFSM, orientador e amigo da artista. Ambos reconhecem que os espaços disponíveis hoje, para a arte, não são muitos, tampouco apropriados, mas é importante não deixar que a arte morra. Este órgão precisa continuar pulsando.

A arte, para tornar-se órgão, congrega em si toda uma fusão de técnicas, mas também de saberes. Quem havia imaginado transformar a biologia em arte? Zenilda pensou. E tem conhecimento para isso, afinal a artista graduada em Desenho e Plástica na UFSM é também graduada em Biologia pela Unicruz e Mestra em Educação e Ciência.

Seu trabalho recebeu duas indicações para o Prêmio Açorianos de Artes Plásticas de 2009: Projeto Alternativo de Produção Plástica e Artista Revelação. Com a doação dos três “órgãos” da Sala Dobradiça, terá feito 20 doações. Mais do seu trabalho pode ser conferido em http://www.doacoesdocorpo.blogspot.com/

Texto: Igor Müller
Fotografia: Lucas Figueiredo Baisch

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Sobre Macondo Coletivo

Associação de Produtores Independentes Macondo Coletivo.

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  1. Francisca Alves da Silva disse:

    Oi lindona, que beleza de texto e de esposição!
    Desejo sucesso, grandes eventos e muita produção
    nos veremos em breve
    fran

  2. Francisca Alves da Silva disse:

    Oi Zenilda Cardozo, parabéns pela exposição e que ótimo texto!
    Te desejo muito sucesso, e que continue nesta produção que é belíssima
    Logo faremso algo juntas casando órgãos e células
    fran

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